A Volta ao Mundo
Em 1519, uma expedição formada por cinco navios partiu da Espanha com um objetivo muito ambicioso: encontrar uma nova rota para as ilhas das especiarias navegando para o oeste. No comando ia um experiente marinheiro português chamado Fernando de Magalhães.
Ninguém imaginava a aventura que os esperava.
Uma viagem cheia de perigos
A expedição cruzou o oceano Atlântico e percorreu a costa da América do Sul em busca de uma passagem para o outro lado do continente. Durante meses não encontraram nenhuma saída. O frio, a fome e o cansaço provocaram motins entre a tripulação. Alguns queriam regressar à Espanha, convencidos de que a expedição estava condenada ao fracasso.
Finalmente descobriram uma estreita passagem entre montanhas e glaciares que hoje conhecemos como Estreito de Magalhães. Do outro lado apareceu um oceano imenso e surpreendentemente tranquilo. Magalhães o chamou de oceano Pacífico.
Um oceano maior do que ninguém imaginava
Os marinheiros pensavam que a Ásia estava muito mais perto. Estavam enganados. Durante mais de três meses navegaram sem encontrar quase terra. A comida começou a esgotar-se e muitos homens adoeceram de escorbuto, uma doença causada pela falta de alimentos frescos. Chegaram a comer couro, serragem e até ratos para sobreviver.
Foi uma das travessias mais duras da história da navegação.
Elcano assume o comando
Após chegar às Filipinas, Magalhães morreu num confronto com guerreiros locais. Parecia que a expedição havia chegado ao fim. No entanto, um dos capitães decidiu continuar. Chamava-se Juan Sebastián Elcano. Naquela altura restavam apenas dois navios e muito poucos homens.
Depois de carregar os porões com valiosas especiarias, Elcano tomou uma decisão arriscada: em vez de regressar pelo mesmo caminho, continuaria navegando para o oeste. Se conseguisse, completaria a volta ao mundo.
Apenas dezoito regressaram
A viagem de regresso foi ainda mais difícil. Um dos navios teve que ficar para trás e o outro cruzou o oceano Índico evitando os portos portugueses, que poderiam capturá-lo.
Depois voltou a contornar a África e atravessou o Atlântico. Em 6 de setembro de 1522, quase três anos depois de ter partido, o navio Victoria entrou no porto de Sanlúcar de Barrameda.
Dos aproximadamente 240 homens que haviam iniciado a expedição, apenas 18 conseguiram regressar. Mas haviam conseguido algo que ninguém havia feito antes. Haviam dado a volta completa ao mundo.
Como mudou os mapas?
A expedição de Elcano demonstrou que todos os oceanos estavam conectados e que era possível circundar o planeta navegando sempre na mesma direção.
Os mapas tiveram que ser redesenhados. Os cartógrafos compreenderam o verdadeiro tamanho do oceano Pacífico e as enormes distâncias que separavam os continentes. A partir de então, o mundo deixou de ser um conjunto de terras isoladas para se tornar um único planeta conectado pelo mar.
Tudo começou com cinco navios. E terminou com apenas um. A Victoria regressou carregada de especiarias, mas o seu maior tesouro foi demonstrar que a Terra podia ser percorrida por completo. Aquela façanha tornou Juan Sebastián Elcano e seus dezessete companheiros os primeiros seres humanos a dar a volta ao mundo, mudando para sempre a forma como entendemos nosso planeta.