Sete Cidades
O Lago de Duas Cores
Há lugares que parecem normais até que os vemos com os próprios olhos. Então descobrimos que são tão estranhos que é difícil acreditar que existam no nosso planeta. Isso acontece em Sete Cidades, nas ilhas dos Açores, Portugal. Lá existem dois lagos que estão unidos, mas um é de cor azul e o outro é de cor verde. Do alto, parecem dois enormes olhos de cores diferentes olhando para o céu.
Onde fica Sete Cidades?
Sete Cidades está localizada na ilha de São Miguel, a maior dos Açores. Este arquipélago fica no meio do Oceano Atlântico, a mais de 1.000 quilómetros da costa de Portugal. As ilhas são de origem vulcânica, por isso estão cheias de montanhas, lagos e paisagens muito diferentes das que vemos normalmente.
Há milhares de anos, um enorme vulcão entrou em erupção. Quando terminou, a sua parte central afundou-se e formou uma gigantesca cratera chamada caldeira. Com o passar do tempo, a chuva encheu esse enorme buraco de água e nasceram os famosos lagos de Sete Cidades.
Dois lagos unidos, duas cores distintas
O mais curioso é que, embora os dois lagos estejam ligados por um pequeno canal, parecem ter cores completamente diferentes. Um recebe o nome de Lago Azul e o outro chama-se Lago Verde.
Durante muito tempo, as pessoas pensaram que era algo mágico. Hoje, os cientistas sabem que o efeito é produzido por várias razões. A profundidade de cada lago não é exatamente a mesma. Além disso, a luz do Sol, as nuvens, as plantas que vivem na água e a forma como o céu se reflete fazem com que um pareça muito mais azul e o outro tenha uma intensa cor verde.
Dependendo do dia e do tempo, as cores mudam ligeiramente. Às vezes o azul é muito brilhante e outras vezes parece quase turquesa. O lago verde também pode mostrar tons esmeralda ou verde escuro.
Uma paisagem criada por vulcões
Toda a paisagem de Sete Cidades lembra que os Açores nasceram graças aos vulcões. As montanhas que rodeiam os lagos são, na realidade, as bordas da antiga cratera. As suas paredes estão cobertas de árvores, flores e pradarias que contrastam com a cor da água.
De alguns miradouros pode-se contemplar toda a caldeira vulcânica. É uma paisagem tão grande que é difícil imaginar que há milhares de anos ali existia um vulcão cheio de lava.
Embora hoje pareça um lugar tranquilo, o interior da Terra continua ativo sob os Açores. Por isso, noutras zonas das ilhas existem águas termais, fumarolas e pequenos terramotos.
A lenda dos dois lagos
Os habitantes dos Açores contam uma bonita história para explicar as duas cores. Segundo a lenda, um pastor e uma princesa tornaram-se muito amigos, mas não podiam ficar juntos porque pertenciam a mundos diferentes.
Quando tiveram de se despedir, os dois choraram durante tanto tempo que as suas lágrimas formaram dois lagos. As lágrimas da princesa eram azuis como os seus olhos, enquanto as do pastor eram verdes. Embora seja apenas uma lenda, continua a ser uma das histórias mais conhecidas dos Açores.
Por que parece de outro planeta?
Poucos lugares do mundo reúnem tantas coisas curiosas ao mesmo tempo. Dois lagos de cores diferentes dentro de uma enorme cratera vulcânica já são suficientes para surpreender qualquer um. Se além disso adicionarmos o nevoeiro que muitas vezes cobre as montanhas e as florestas que rodeiam a água, a paisagem parece completamente irreal.
Do famoso miradouro Vista do Rei, os lagos parecem duas enormes manchas de cor no fundo de um vulcão gigante. É uma imagem tão espetacular que muitas pessoas pensam que estão a ver uma paisagem de outro mundo.
Um recanto único dos Açores
Sete Cidades demonstra que a natureza pode criar lugares tão surpreendentes que parecem impossíveis. A força dos vulcões, o passar do tempo e a água da chuva transformaram uma antiga cratera numa das paisagens mais bonitas da Europa.
Por isso pertence à categoria Lugares de Outro Planeta. Seus dois lagos de cores distintas, rodeados por um enorme vulcão coberto de vegetação, fazem com que qualquer um tenha a sensação de ter viajado para um canto distante do espaço, embora na realidade se encontre no meio do oceano Atlântico.